Cartões na sua empresa: melhorando sua relação
com os meios de pagamento eletrônico

O pagamento por meios eletrônicos é um cenário crescente no dia a dia das empresas. Aqui, vamos discutir alguns aspectos dessa forma de pagamentos e maneiras de tirar vantagens desse cenário.

Você, caro empreendedor, que sempre esteve às voltas com tantos leões querendo devorar parte dos seus ganhos e aumentar seus custos, viu surgir nas últimas décadas o fenômeno dos cartões que, seja a débito ou crédito, são mais uma boca para pegar uma fatia das suas vendas. Mas será que eles são realmente ruins?

Bom, é melhor considerarmos que não, pois esse é um cenário irreversível e em expansão, mas você já deve ter percebido isso no seu dia a dia (segundo a consultoria americana Pew – especializada em tecnologia-, a tendência é que até 2020, os meios eletrônicos irão ultrapassar o uso de dinheiro em espécie). Logo, não aceitar formas de pagamento eletrônico em sua empresa, é como definir um prazo de validade para ela. E nós não queremos isso, correto?

Essa introdução toda é para dizer que, apesar de ser um item que fará -obrigatoriamente – parte do seu cotidiano, podemos adotar algumas estratégias para minimizar suas desvantagens e aumentar seus benefícios.

Os cartões acabaram – ou deveriam ter acabado – com aquele seu indigesto caderno de fiados. O bom disso, é que sua inadimplência foi ralo abaixo, pois se a Maria não pagar o cartão (não, isso não é legal, mas é assunto para outro momento), é entre ela e o banco, você recebe seu dinheiro.Um outro benefício, é a segurança. As coisas não andam fáceis não é mesmo? E nesse ponto, é bom que nosso dinheiro esteja seguro no banco e não na gaveta do balcão.

O crédito. Sim esse é outro benefício do cartão, ele aumenta o crédito disponível ao consumidor, fazendo com que ele possa comprar mesmo sem ter o dinheiro naquele momento e o incentiva a gastar ainda mais. Você sabe como é ter aquele pequeno plástico na mão para gastar sem se dar conta….

Quanto ao lado ruim dos cartões, vamos focar nas taxas cobradas, nos problemas com os serviços prestados e na sua relação com os bancos e as adquirentes (sim, esse é nome das empresas das máquinas de cartões).

O primeiro ponto a saber é que, neste momento, você está com a vantagem. Diferente de alguns anos atrás, antes da quebra do duopólio em 2010, onde o mercado era dominado por duas empresas (Redecard e Visanet), hoje existem diversas novas entrantes no mercado, algumas contando com o sobrenome de bancos e empresas já conceituadas e outras no estilo startup.

Diante desse cenário, a concorrência está cada vez mais acirrada e é você quem ganha. Em diversos sites informativos, você encontrará reportagens sobre como essa mudança gerou melhoria na qualidade dos serviços, redução das taxas e aumento no valor das transações. Assim, nunca aceite a oferta inicial sem olhar a concorrência e, claro, negociar bastante.

O que levar em conta na hora de escolher sua Adquirente? Bom, essa certamente não é uma resposta fácil, vamos, então, começar pelo “depende”. Primeiramente, você deve avaliar as necessidades de sua empresa, você precisa de quantas máquinas? Elas devem ser móveis ou fixas? Qual a sua movimentação na modalidade eletrônica? Suas vendas são à vista ou parceladas?

Tendo traçado o perfil do seu negócio, aí poderemos partir para o perfil da adquirente. E aí vai outra importante pergunta: o que é mais importante para você? A qualidade do serviço e atendimento? As taxas cobradas ou as possibilidades de crédito? Claro, o melhor seria encontrar uma que lhe oferecesse tudo isso… Mas o que temos encontrado no mercado, são as adquirentes se “especializando” em uma dessas áreas. Assim, se você tem um ótimo atendimento, é provável que as taxas serão um pouco mais amargas, já, se você tem taxas bem pequenas, é possível que o serviço, modo geral, deixe a desejar.

Para não transformar esse artigo num livro, vamos dividir os assuntos em tópicos e comentar cada um, para que depois você tenha condições, por si só, de fazer essas análises e escolher a melhor solução para sua empresa.

Taxas

Aluguel: Essa é a primeira taxa a considerar, pois será seu custo fixo, independente das vendas. Via de regra, o aluguel servirá para cobrir custos de manutenção da máquina, como trocas, bobinas e adesivos. Atualmente o aluguel de uma máquina do tipo móvel, fica em torno de R$100,00. Mas diversas adquirentes já fazem promoções do tipo de isenção de aluguel, se você atingir um certo faturamento. Existe ainda a possibilidade de você comprar a máquina, (no momento, há um player no mercado que oferece essa opção).

Taxa débito: Essa taxa é cobrada sempre que você faz uma transação a débito e, atualmente, gira entre 0,8% a 2,5% do valor da transação. Ou seja, se sua taxa é de 1,5% e você fez uma venda de R$100,00, o valor líquido da venda será de R$98,50.
Importante lembrar que, em geral, as compras a débito são pagas em D+1, logo, no dia seguinte à venda. Se sua adquirente faz diferente disso, ela está lucrando além das taxas.

Taxa de crédito: Quando você vende seu produto parcelado a taxa cobrada costuma ser maior. Comumente dividida entre: parcelamento de 1-6 vezes (girando em torno de 3,5% e 7-12 (por volta de 4% a 8%). Nesse caso, é importante lembrar que você receberá o valor da compra também parcelado, ou seja, se seu produto foi vendido em 10 vezes, você demorará 10 longos meses para receber completamente aquele valor.

Existe a opção do recebimento antecipado de vendas (RAV ou Antecipação), mas isso é assunto do próximo tópico. Lembrando que esses dados não são válidos para os vouchers de alimentação e refeição, que constituem um mercado bem diferente e monopolizado.

Antecipação (ou recebimento antecipado de vendas)

Lá está você, caro empresário, feliz por ter vendido aquela televisão na Black Friday, parcelada em 10x sem juros, até que as contas dos fornecedores, começam a chegar enquanto você percebe que o valor da sua venda demorará bem mais a aparecer do que seus boletos. E agora?

Bom, uma possibilidade é receber antecipadamente o valor do seu produto (RAV). Esse serviço é oferecido pelas adquirentes, mas não sai de graça, tão pouco barato (essa taxa varia muito, podendo ir de 1% a 9% a.m. dependendo do seu contrato). Vamos simular um exemplo para esclarecer as coisas:

Você vendeu uma televisão por R$950,00, parcelado em 8 vezes. E resolve pedir o RAV no dia seguinte.
Suas taxas são:
Crédito: 4%
RAV: 2% ao mês
O valor líquido que você receberá será: $950 – 4% = $912 – RAV

Aqui vai um ponto MUITO importante: a taxa RAV é cobrada ao mês, uma conta de juros simples. Assim quanto mais você parcela, mais ela incide sobre o valor do produto. O cálculo seria mais ou menos assim:

$912/8 = 114 cada parcela.
RAV:
1ª Parcela: $114*(1*(2%de R$114))
2ª Parcela: $114*(2*(2%de R$114))
(…)
8ª Parcela: $114*(3*(2%de R$114))

Isso ocorre porque você está andando com o dinheiro no tempo. E a suposição é que ter ele hoje, vale mais do que o ter daqui a 8 meses.
Assim, nesse exemplo, você receberia líquido, da sua venda de R$950,00, aproximadamente: R$829,00. Um pouco mais de R$100 de custo (ou 13%) , isso sem entrarmos no mérito do custo do produto, dos seus custos com luz, funcionários, estocagem, etc.

Como você pode enfrentar essa situação? Aqui vão 4 dicas pra te ajudar:
1º Gerenciar seu capital de giro para não precisar fazer a antecipação;
2º Evitar longos parcelamentos, incentivando seu cliente a comprar no débito ou crédito à vista (oferecendo descontos)
3º Se valer da MP 764/2016 que permite a você cobrar valores diferenciados por meio de pagamento, ou seja, cobrar um valor maior numa compra parcelada;
4º Negociar taxas com a adquirente.

Use, uma, duas, ou todas essas dicas, mas o mais importante é gerir seu negócio com consciência e lembrar que “Não existe almoço grátis”.

Trava bancária
Assim como a Antecipação, a trava bancária é um dos tópicos mais importantes quando se trata de meios de pagamento eletrônico. Resumindo a história, a trava serve como uma garantia ao banco para lhe dar crédito ou fazer antecipações. Quando você faz esse acordo com o banco, está se comprometendo a não mudar seu domicílio bancário, tendo que receber seus créditos naquela conta, daquele banco, sem possibilidade de alteração, até o fim do contrato ou de uma renegociação com o banco.

É importante ressaltar que a trava é feita por cada bandeira de cartão, assim, você pode ter trava bancária nos recebíveis apenas na bandeira x, ou nas x,y,z.

A trava bancária é exigida pelos bancos como uma contraparte para fornecer crédito, como capital de giro e empréstimos, além de antecipação dos recebíveis. Isso pode ser bom para o seu negócio, pois geralmente as taxas de juros ficam menores a partir dessa garantia. Mas fique atento, a partir do momento em que você realiza essas operações, o banco faz a cobrança das prestações através do pagamento de recebíveis por parte da sua adquirente. Possivelmente, você ficará um bom tempo sem ver esses recebíveis.

Inicialmente, poderia acontecer do empresário fazer esse acordo e, em seguida, abrir uma conta em outro banco e informar essa nova conta a sua adquirente, fazendo com que o banco não tivesse acesso aos seus recebíveis. Para garantir que isso não ocorra, as adquirentes e os bancos assinaram um acordo, o SCG, e por meio do sistema CIP (câmara interbancária de pagamentos) os seus dados (a existência de trava) são compartilhados e, independente da adquirente que você escolha, a conta terá que ser aquela na qual você fez o contrato da trava bancária. Então, não adianta correr para outra, nem reclamar com a sua atual adquirente.

O grande problema é que boa parte das adquirentes pertencem a bancos, com isso, muitas vezes ao abrir a conta da sua empresa num desses bancos, eles já lhe “empurram” a máquina deles e, sem que você se dê conta, processam a trava bancária na sua conta. Já existem contestações jurídicas sobre a legalidade da trava bancária em alguns casos, mas no momento, esse é o sistema vigente.

Dica final
Juntando tudo o que discutimos ao longo do texto, as dicas finais são:

Fique atento: Acompanhe constantemente suas vendas pelo portal de sua adquirente, bem como suas taxas. E muita atenção na hora de fechar os contratos, se informe sobre os prazos, de recebimento e de prestação de serviços de manutenção, sobre suas taxas, as promoções, etc;
Negocie: aproveite a onda de novos entrantes no mercado e o acirramento da competição para conseguir vantagens para o seu negócio;
Informe-se: Mantenha-se atualizado, bem informado, em relação as  informações e novidades do mercado.

Roger Poggian

Referência:

http://www.administradores.com.br, Cartões na sua empresa: melhorando sua relação com os meios de pagamento eletrônico
Disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/negocios/cartoes-na-sua-empresa-melhorando-sua-relacao-com-os-meios-de-pagamento-eletronico/108237/>

Acesso em: 14 de Dezembro de 2017

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